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Para fotógrafos Iluminação

Usar a luz do salão a favor do prato

Como trabalhar com a janela do restaurante, desligar o que atrapalha e rebater com o que já está na mesa.

Retrato de Mikhael Treska
Mikhael Treska 6 de agosto de 2026 · 5 min de leitura
Croissants sobre a mesa iluminados por luz natural

Nas primeiras sessões em restaurante eu chegava com dois flashes, softbox e tripé de luz, e passava a primeira hora montando equipamento num salão que já tinha uma janela enorme virada para o lado certo. Hoje eu faço o contrário: olho a luz que o lugar oferece e só tiro o flash da mochila se ela não resolver. Na maior parte das vezes, resolve.

Visite o salão no horário da sessão

A mesma janela muda muito entre as nove da manhã e as três da tarde. Se der, passe no restaurante no horário marcado, uns dias antes, e veja por onde a luz entra, se bate sol direto na mesa e quanto tempo ela fica boa. Se não der, peça ao dono uma foto do salão tirada com o celular naquele horário. Já ajuda a decidir qual mesa usar e se vale levar difusor.

Desligue as luzes do teto

É a primeira coisa que faço ao chegar. Lâmpada amarela de salão misturada com luz de janela deixa o prato com duas cores ao mesmo tempo: um lado quente, o outro frio. Um único balanço de branco não corrige isso, e a correção por máscara na edição toma um tempo que você não vai cobrar do cliente. Com só a janela acesa, a cor fica uniforme e a edição fica simples.

Três posições que resolvem quase tudo

1. Janela ao lado do prato

Com a luz entrando pela lateral, cada grão de arroz e cada folha ganha uma sombra pequena, e é isso que dá textura. Serve para a maioria dos pratos e é por onde eu começo.

2. Janela atrás, um pouco de lado

Quando a luz vem de trás, o molho brilha, o caldo fica translúcido e o vapor aparece. É a posição que eu uso para bebidas, sopas e qualquer coisa com calda. O cuidado é com a frente do prato, que fica escura. Aí entra o terceiro item.

3. Rebatedor com o que tiver na mesa

Um cartão branco, o verso do cardápio, um guardanapo de pano esticado. Colocado do lado oposto à janela, ele devolve luz para as sombras sem apagar o volume. Levo um isopor branco na mochila, mas já resolvi muita sessão com o que estava no restaurante.

Taça de vinho na mesa do restaurante com luz do fim da tarde vindo de trás
Luz vindo de trás, direto da janela do salão: o vidro e o líquido se acendem sem nenhum flash.

Quando o sol entra direto

Sol batendo no prato cria sombra dura e estoura o branco da louça. Se a janela tem cortina clara, feche e use como difusor. Se não tem, um tecido branco fino preso no vidro faz o mesmo trabalho. E às vezes a melhor saída é trocar de mesa ou fotografar primeiro os pratos que estão longe da janela, enquanto o sol muda de lugar.

Antes de montar qualquer luz, apague a do teto e veja o que a janela faz sozinha.

O que eu faria no seu lugar

Na próxima sessão em restaurante, deixe os flashes na mochila na primeira meia hora. Fotografe só com a janela e o rebatedor e compare depois com o que você faria com o seu setup de sempre.

  • Desligue as luzes do salão antes do primeiro clique.
  • Teste o mesmo prato com a janela ao lado e com a janela atrás.
  • Leve um rebatedor branco pequeno, mas tente primeiro com o que está na mesa.

O cliente reconhece o próprio salão nas fotos, e você sai mais cedo sem precisar desmontar nada.

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Retrato de Mikhael Treska
Mikhael Treska

Fotógrafo de comida em Curitiba há sete anos. Fotografa cardápio, delivery e campanha para restaurantes de todo o Brasil, e ensina outros fotógrafos na Academia Mitreska.

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