Como montar o preço de um ensaio gastronômico
Custo da sua hora, tempo real do trabalho e uso da imagem: a conta que evita cobrar só pelo clique.
Meus primeiros orçamentos de restaurante eram calculados pelo tempo de captação. Três horas de sessão, três horas cobradas. Só percebi o erro quando somei tudo o que veio depois: a visita antes, a seleção, a edição, as trocas de mensagem com o dono. O trabalho tinha levado mais que o triplo do tempo que eu cobrei. Desde então monto o preço de trás para frente, começando pelo que a minha hora custa.
Descubra quanto custa uma hora sua
Some tudo o que você paga por mês para existir como fotógrafo: aluguel do estúdio, internet, softwares, contador, seguro do equipamento, e uma parte do valor da câmera e das lentes, dividida pelos meses que elas devem durar. Depois divida esse total pelas horas que você realmente vende no mês.
Esse segundo número costuma ser bem menor do que parece. Prospecção, postagem, reunião e financeiro também ocupam o seu mês e ninguém paga por essas horas. Se você trabalha 160 horas mas só 60 viram serviço cobrado, é por 60 que o custo tem que ser dividido.
Um exemplo com números redondos: R$ 4.000 de custos fixos divididos por 60 horas vendidas dá cerca de R$ 67 por hora. Esse é o valor para empatar, sem lucro e sem o seu salário.
Conte o trabalho inteiro, não só a captação
Anote, em um ensaio real, quanto tempo cada etapa levou: briefing, visita ao local, deslocamento, montagem, captação, seleção, edição, exportação nos formatos do cliente e a rodada de ajustes. Uma sessão de quatro horas no restaurante facilmente vira um trabalho de dez ou doze horas no total. É esse número que multiplica o custo da sua hora.
Três coisas que entram por cima
1. Custos da própria sessão
Assistente, food stylist, props comprados para aquele cliente, estacionamento, combustível. Esses valores mudam a cada trabalho e entram separados, pelo custo real.
2. Onde a imagem vai ser usada
Foto para o Instagram do restaurante e foto para uma campanha paga, uma embalagem ou um outdoor não valem o mesmo. Quanto maior o alcance e o tempo de uso, maior o valor da licença. Pergunte no briefing onde as fotos vão aparecer e deixe isso escrito no contrato.
3. Margem
Depois de cobrir custo fixo, horas e despesas da sessão, o que sobra é lucro. Ele é diferente do seu salário e é o que paga a câmera nova, o mês fraco e o curso que você quer fazer. Se o preço final não tem essa parte, você está financiando o cliente.
O preço de um ensaio é a soma das horas que o cliente não vê.
Como apresentar para o cliente
O dono do restaurante não quer saber da sua hora. Ele quer saber quantas fotos recebe e onde pode usar. Transforme a conta em pacotes fechados, por quantidade de fotos e tipo de uso, e mostre duas ou três opções lado a lado. A conta fica com você, e ele escolhe pelo que precisa.
O que eu faria no seu lugar
Pegue o último ensaio que você fez e refaça o orçamento com essa conta. Compare com o valor que você cobrou.
- Some seus custos fixos do mês e divida pelas horas que você de fato vende.
- Liste todas as etapas do último trabalho, com o tempo real de cada uma.
- Acrescente despesas da sessão, licença de uso e uma margem antes de fechar o valor.
Se o número novo ficar bem acima do que você cobrou, é ele que vai no próximo orçamento.
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Fotógrafo de comida em Curitiba há sete anos. Fotografa cardápio, delivery e campanha para restaurantes de todo o Brasil, e ensina outros fotógrafos na Academia Mitreska.